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Entrevista

Nate Mendel (Foo Fighters): “tenho quase 50 anos, mas ainda penso como um adolescente”

Foto: Joby Sessions/Future

Texto original: Foo Fighters’ Nate Mendel: “I’m nearly 50 years old, and seriously, I’m still thinking like a teenager”
Por: Joel McIver
Tradução: Stephanie Hahne

“O poder do rock te move” é uma frase que usamos muito no quartel secreto da BGM, em parte porque nos faz rir enquanto tapeamos nossas cordas, mas também porque há uma certa verdade escondida nesta frase para os baixistas de alta persuasão.

Pegue Nate Mendel, do Foo Fighters, por exemplo: um cara simpático que nos ligou para falar sobre o novo álbum de sua banda, Concrete And Gold, o nono nos 23 anos desde que o baterista do Nirvana, Dave Grohl, formou o grupo.

Se você está familiarizado com os grandes sucessos dos Foos — “Monkey Wrench”, “Learn To Fly”, “Times Like These”, “Breakout” e assim por diante — você saberá que eles se especializam em Rock com R maiúsculo, projetado para estádios e amado por multidões em todo o mundo .

Quem é maior do que o Foo Fighters nesta segunda metade dos anos 2010, em termos de números de shows feitos em locais realmente grandes? Ninguém no rock, além do U2 e Guns N’ Roses, embora o Metallica e o Iron Maiden os igualem no mundo do heavy metal, e Taylor Swift, Justin Bieber, Adele, Ed Sheeran e o resto do contingente pop provavelmente superam todos.

Isso torna muito divertido que toda essa grandiosidade no rock não consiga impedir um rapaz de ser intimidado por um produtor com raízes no jazz, como aconteceu com Mendel no início deste ano. (Fique tranquilo, não estou criticando ele aqui: estou incluindo todos nós, não-jazzers, na demografia do “medo do jazz”…)

“Se você está no mundo do rock, o jazz parece ter um pouco de feitiçaria, enquanto nossas regras e normas são um pouco mais simples”, ri Mendel.

“Eu definitivamente estava um pouco nervoso neste álbum, porque o nosso produtor Greg Kurstin é um músico de jazz muito bem educado, mas eu estava ansioso ao mesmo tempo, porque eu quero colaborar com pessoas e me tornar um instrumentista melhor no fim de tudo.”

Mendel e Kurstin se deram bem, apesar dos diferentes contextos, já que o produtor desejava dar ao baixo um lugar de destaque na música.

“Eu entrava com minhas ideias e Greg trabalhava com elas por um tempo, antes de dizer: ‘bem, se você quiser realmente fazer isso, tente isso aqui!'”, lembra Mendel.

“Eu havia saído de dois discos com [a lenda da produção musical] Butch Vig, que é muito particular com o tempo e se certifica de que o baixo não é mais complicado do que precisa ser. Seu objetivo é deixar o baixo simples, sólido e pesado sem arruinar as coisas: ele faz muitas coisas em uma só tomada “.

Concrete And Gold

Concrete And Gold, no qual Mendel e Grohl são acompanhados pelos guitarristas Chris Shiflett e Pat Smear, o baterista Taylor Hawkins e o tecladista Rami Jaffee, é um trabalho refinado, carregado de texturas influenciadas pelos Beatles e Queen e uma estranha balada acústica aqui e ali.

“Estou muito satisfeito com isso, é um dos meus favoritos,” diz Mendel. “Eu me estiquei um pouco neste, e troquei tudo: nós conseguimos um excelente som com o qual estou satisfeito”.

Uma das músicas, “La Dee Da”, começa com uma faixa de baixo incrível e cheia de fuzz, enfeitiçada por Kurstin e sua equipe de engenharia.

“Aquilo não é um pedal, é Greg usando o Logic”, diz o baixista. “Nós gravamos a parte seca no Pro Tools e então eles configuraram uma segunda plataforma com o Logic para fazer ajustes e adicionar efeitos. É divertido, porque acabei de comprar um pedal JHS Four Wheeler, que é um pedal de distorção que possui uma saída de ruído incorporada.

“O efeito que Greg colocou lá faz mais ou menos o mesmo. É um ótimo pedal: acabamos de fazer 10 shows na Europa, e não conseguimos fazer a passagem de som em nenhum deles, então eu apenas liguei esse pedal e tocamos.”

O tom do baixo no álbum, sem contar as partes editadas no Logic, tem um baque pesado que se adapta às guitarras de Grohl e Shiflett, graças a uma troca de cordas.

“Eu acabei tocando notas mais ‘rasas’ no estúdio — era coisa do Greg. Sempre gostei de um som ao vivo no baixo, e eu gosto de que as notas toquem completamente, mas para este disco eu usei um tom mais profundo e mais ‘amadeirado’ e, na verdade, funcionou muito bem. Greg estava realmente curtindo este som, e eu também gostei disso.”

Como acontece geralmente, quando as grandes bandas com um grande orçamento entram em grandes estúdios, havia uma seleção invejável de equipamentos para que Mendel pudesse escolher.

“No estúdio, havia seis ou sete instrumentos,” lembra ele, “e para as duas ou três primeiras músicas, você usa todos os seis ou sete, mas depois acaba escolhendo um e seguindo com ele, porque parece ser o melhor. Neste disco, usei principalmente baixos Precision personalizados em uma loja que foram feitos para mim no final dos anos 90: basicamente são o que o meu baixo de assinatura se transformou “.

Modelo de assinatura

Ah, sim, o Fender Nate Mendel Precision, disponível agora por £ 949 (aproximadamente R$ 3.600). Qual das especificações do instrumento é exclusivamente dele, perguntamos?

“É um baixo bem típico,” ele explica, “mas eu tinha pickups diferentes, e uma ponte mais espessa. O principal era tentar obter a forma do braço corretamente. No lote dos baixos de 1971 que os meus vieram, acho que eles estavam tentando dividir a diferença entre a sensação de um braço Precision e um braço Jazz. É um pouco mais largo do que um braço Jazz, o que para mim parece um pouco demais.”

Há quatro anos, nosso testador Mike Hine considerou: “apesar da simplicidade dos circuitos passivos, o Nate Mendel P-Bass não é um ‘pônei de um só truque’. A ponte Badass II, maior e mais robusta do que as pontes Fender antigas, juntamente com o moderno Seymour Duncan pickup, contribuem para homenagear o Precision de 71, ao mesmo tempo que adiciona uma vantagem refrescante e moderna. Pela própria admissão de Mendel, a nova tecnologia torna o som deste baixo melhor do que o seu arquétipo.”

Nós transmitimos isso para Mendel e ele diz: “obviamente, eu sou suspeito para falar, mas se você não vai comprar uma versão super cara de um Precision, ou um vintage, acho que é um bom caminho a seguir. Eu amo os ‘enfeites’: o cabeçote é bem claro e com cara de novo. Eu não gosto de instrumentos que imitam relíquias: para mim, isso é trapaça! Eu queria encontrar o meio termo entre um baixo antigo e um baixo que parece ser feito na semana passada.”

Além de seus próprios Fenders, o que mais ele tem em sua coleção?

“Estou misturando agora. Eu tenho feito algumas compras, porque na verdade não compro novos baixos há muito tempo — não sou muito de colecionar instrumentos. Eu toquei guitarra na minha banda solo [Lieutnant] por um longo tempo e, quando voltei ao baixo, comecei a prestar atenção no tom e assim por diante, e é por isso que eu tenho comprado baixos ultimamente.”

Para os amplificadores, Mendel veio para o nosso lado, ele nos diz.

“Eu uso os amplificadores Ashdown BTA, os híbridos sólidos/tubulares. Quando eu estava crescendo nos anos 70, toquei com um Ampeg SVTs como todos os outros: naquela época, não havia muita opção. Assim que você conseguia juntar $ 1.200 para um baixo Precision e um SVT, você estava pronto para ir, certo? Mas eu não viajo com meus SVTs porque eles são velhos e delicados, então é por isso que mudei para o Ashdown, que está disponível e é a réplica mais próxima desse som. Eu também tenho um fantástico pedal de distorção com o Ashdown, o NM2.”

Equipamentos bem legais, então. Será que Mendel gosta de um toque de modelagem de amplificadores, agora que a tecnologia é acessível e onipresente?

“Eu apenas modelei meu som do SVT com um Kemper, na verdade”, ele nos diz. “Usamos o mesmo cabo, o mesmo microfone e a mesma sala de controle que gravamos. Estou interessado em saber se vai sair do mesmo jeito que o equipamento real. Eu sei que para as guitarras é bem tranquilo, mas para o baixo pode ser um pouco mais difícil de replicar.”

Foto: Joby Sessions/Future

Ferrão na cauda

A juventude de Mendel como um garoto punk de Richland, Washington, já passou há muito tempo. “Eu só queria estar em uma banda,” lembra ele, “e havia um cara com quem estava conversando naquele tempo que tocava violão. Eu estava ouvindo o álbum Ghost In The Machine do The Police na época, e estava vidrado no Sting, então, quando meu amigo sugeriu que eu deveria tocar baixo, pensei que parecia uma ótima ideia.”

Certamente foi — então, qual foi o primeiro baixo? “Eu ganhei uma réplica de um Steinberger pela Cort, porque era a década de 80, e era isso que você fazia quando tinha 13 anos naquela época!”, ele ri.

“Eu consegui um pequeno amplificador para praticar e a gente brincou um pouco, mas a banda não durou muito. Depois disso entrei no punk rock e segui para um Ibanez Roadstar e um Kramer preto, uma espécie de baixo Travis Bean. Juntei-me a essa banda chamada Christ On A Crutch e comprei um P-Bass por U$ 200 do vocalista. Esse foi o modelo com o qual meu baixo de assinatura foi feita.”

E o resto é história. Mendel já entrou no território das cinco cordas? “Não!” ele ri, antes de pausar para explicar. “No nosso acampamento, as cinco cordas são bastante ilegais. É divertido, porque compreendo totalmente o valor daquela quinta corda, mas é apenas uma dessas linhas que você não atravessa.”

Entendemos. São as “regras punk”, certo? “Provavelmente, sim. Eu sei, tenho quase 50 anos e, sério, ainda penso como um adolescente,” ele suspira. “Desculpe, cara, algumas coisas são construídas [em você]”.

Ele não precisa se preocupar: este é um tema recorrente aqui. Muitas vezes, entrevistamos baixistas, particularmente americanos com idade entre 35 e 50 anos, que cresceram no punk, e nesse ambiente havia três regras inquebráveis ​​para o baixista. Um, não toque mais de quatro cordas; dois, não toque sem traste; três, nunca – nunca toque slap bass.

“Oh, meu Deus… eu meio que queria poder dar uns tapas (slaps),” diz Mendel. “Está na moda de novo, eu acho. No outro dia Taylor, Chris e eu estávamos fazendo uma jam na sala de ensaio com uma antiga música do U2 que tinha uma parte de slap. Foi divertido, e a música foi boa para isso. Talvez seja hora de reavaliar. Qual é o oposto dos tapas, quando você puxa para cima? Um peteleco? Talvez eu poderia fazer um desses aqui e ali.”

Equipamento de tour

Se o próximo álbum do Foo Fighters tiver uns tapas, você sabe onde ele conseguiu a ideia. Os Foos vão sair novamente em turnê em 2018: que baixos ele estará levando com ele?

“Em turnê, tem sido um pouco como um sorteio recentemente”, ele nos conta. “Eu tenho um monte dos meus Precision, um Jazz, um velho Gibson Ripper, um Epiphone Jack Casady e um Rickenbacker, que eu acho que deve ser um 4001. Quando comprei o Ricky, não conhecia a diferença entre um 4001 e um 4003, mas nosso baterista Taylor Hawkins me ligou de uma loja de guitarra e disse: ‘ei, cara, há um lindo Rickenbacker branco aqui e você deveria vir buscá-lo.’ Ele está tentando me comprar um Rickenbacker desde sempre. Estou curioso para ver qual eu realmente tenho!”

A música do Foo Fighters, projetada para arenas como ela é, deve ser muito pesada para um Ricky, certamente?

“Eu o toquei em algumas músicas no ensaio recentemente, e não era realmente apropriado para o que estamos fazendo,” ele acena com a cabeça, “mas ainda soa incrível! Eu nunca me sentei de verdade para descobrir quais baixos soam melhor para quais músicas, então estou ansioso para fazer isso. Eu terei algum tempo para realmente pensar sobre isso quando nos reunirmos para ensaiar para a próxima turnê. Eu tenho um rack de baixos antigos que eu acho que pode parecer bom. Vou experimentá-los para diferentes músicas. Talvez ‘Learn To Fly’ soa melhor com um Guild Starfire, quem sabe?”

Ele conclui: “felizmente, meu técnico de baixo Geoff Templeton está disposto a entender isso tanto quanto eu. Ele vai voar para cá em algumas semanas e vamos passar por tudo — pickups, cordas, amplificadores — e apenas mergulhar nisso por alguns dias. Nós vamos ficar muito felizes com isso.”

Parece um dia ideal para a gente — alguém gostaria de uma viagem a Washington…?

Dave Grohl e Josh Homme falam sobre o festival Cal Jam e seu “bromance”

Foto por: Kirk McKoy/Los Angeles Times

Em uma sala de gravação quase vazia no seu enorme Studio 606, no vale de San Fernando, Dave Grohl se sentou atrás de um kit de bateria e batucou um forte groove funk, cada batida da caixa reverberando nas paredes do espaço vazio.

“Você sabe o que é uma boa fisioterapia?”, perguntou o líder do Foo Fighters, que quebrou sua perna em 2015 depois de cair do palco durante um show na Suécia.

Em pé, o amigo de Grohl, Josh Homme, o líder das Queens Of The Stone Age que está com uma lesão no joelho, levantou a cabeça para ouvir a resposta.

“Tocar bateria”, disse Grohl.

“Ah, é?”, ele rebateu. “Eu ia dizer [que é uma] dança exótica”.

Este foi um raro desacordo entre esses veteranos de rock de mentalidade parecida, cujo bromance vem desde o início da década de 1990, quando Grohl — então baterista do Nirvana — teve sua mente explodida em um show da banda de stoner-metal de Palm Desert, o Kyuss.

“Eles eram terríveis [na aparência], mas soavam ótimos”, recordou Grohl em uma tarde recente. “Eu fiquei tão ligado neles”.

Desde então, os dois já viajaram e gravaram juntos, e em 2009 eles formaram um supergrupo de curta duração, Them Crooked Vultures, com John Paul Jones do Led Zeppelin.

Agora, os músicos estão se conectando novamente para o Cal Jam, um festival de música agendado para 7 de outubro no Glen Helen Regional Park, em San Bernardino. Nomeado em homenagem ao evento de 1974 que trouxe Deep Purple e Black Sabbath ao Ontario Motor Speedway, o novo Cal Jam apresentará performances de vários atos do rock, incluindo Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Cage the Elephant, Liam Gallagher, The Kills, Babes in Toyland, Wolf Alice e Bob Mould.

O evento que Grohl, de 48 anos, liderou com o apoio da Live Nation, também está preparado para oferecer um parque de diversões, filmes ao ar livre, um estúdio de gravação móvel e uma grande e elaborada exposição chamada Foo Fighters Rock ’n’ Roll Museum.

“Dave é conhecido por suas ideias pequenas”, disse Homme, 44, com uma risada enquanto ele e Grohl fumavam cigarros na bagunçada sala de controle do estúdio.

Atrás de Homme, há uma espada gigante apoiada contra uma parede, uma lembrança da festa de 40 anos de Grohl no Medieval Times (onde Homme relembrou de seu primeiro encontro com Jones, balbuciando nervosamente sobre a vida na “antiga e alegre Inglaterra”). No lado de fora do estacionamento, vários roadies estavam se preparando para desmontar uma cabana de madeira que o Foo Fighters construiu para uma aparição na TV — pelo menos até Grohl anunciar que talvez fosse transportar o objeto para San Bernardino para criar um bar de whisky escondido na floresta em torno do Cal Jam.

No entanto, a ideia mais louca de Grohl pode ser de que uma banda de rock valha todos os problemas que ela rotineiramente envolve. De volta ao tempo do Nirvana, caras com guitarras estavam no topo; hoje em dia eles podem se parecer com arquivistas da idade perdida, em comparação com os DJs e os rappers de SoundCloud que comandam a cultura juvenil.

Com exceção que o Foo Fighters e o Queens of the Stone Age estão prosperando, e não por se recusar a evoluir. Homme conhecidamente nomeou sua banda como uma maneira de combater a vibe excessivamente machista que ele sentia estar arruinando o hard rock. E no verão passado, ambos os grupos lançaram álbuns produzidos por produtores pop de primeira linha.

O gosto de Homme pela aventura o levou a contratar Mark Ronson, conhecido por suas colaborações com Bruno Mars e Lady Gaga, para supervisionar o bem recebido Villains.

“Eu tenho um chip no meu ombro, e quando eu o levanto, ele diz: ‘Tenha uma mente aberta'”, disse Homme, que conheceu Ronson enquanto tocava guitarra no álbum Joanne, de Lady Gaga. “Nós fazemos música — não trabalhamos em uma prisão. Quero reservar o direito de me surpreender.”

Com suas letras mordazes e guitarras cortantes, Villains não chega a ser uma tentativa para o Top 40 das rádios; “a vida é difícil / é por isso que ninguém sobrevive”, Homme canta no início da primeira música do álbum, “Feet Don’t Fail Me”.

Como o título sugere, porém, Ronson colocou uma nova ênfase na movimentação rítmica da banda em um disco mais dançável do que qualquer um dos anteriores.

Isso é semelhante ao grau de mudança que Grohl estava procurando ao se juntar com Greg Kurstin para gravar o Concrete and Gold, do Foo Fighters, que entrou em primeiro lugar na Billboard 200 nesta semana. Em fevereiro, Kurstin foi nomeado produtor do ano no Grammy Awards em reconhecimento ao seu trabalho com Adele e Sia, entre outros.

No entanto, Grohl insiste que ele recrutou Kurstin não necessariamente para fazer hits, mas para aumentar a complexidade harmônica de sua música — um trabalho que ele pensou que Kurstin seria capaz de fazer graças ao projeto peculiar de eletro-pop do produtor, o Bird and the Bee.

Ele estava certo: músicas como “Run” e “The Sky Is a Neighborhood” entregam o rock esperado do Foo Fighters, mas vêm também com vocais densos e em camadas que fazem eco com a sonoridade dos Beatles e dos Beach Boys.

Homme e Grohl disseram que cada um decidiu em chamar um colaborador improvável sem saber que o outro tinha feito a mesma coisa. Mas as duas bandas acabaram trabalhando a alguns metros uma da outra em Hollywood: o Foo Fighters no EastWest Studios, e o Queens of the Stone Age na United Recording, ambos na Sunset Boulevard, perto da Gower Street.

“Eu estava ansioso para ir ao estúdio todos os dias e gravar meu disco”, disse Grohl. “Mas eu também estava ansioso para descer e roubar os donuts do Josh e ficar lá nas primeiras três horas de todos os dias. Era tipo o ‘Hill Street Blues'”.

“Deixe-me saber sua opinião sobre este caso arquivado”, acrescentou Homme com uma voz de detetive exagerada.

“Bandas de rock fazendo discos vitais, tentando empurrar as fronteiras — estes dias são poucos e distantes”, continuou Grohl. “Ter Josh tão perto me fez sentir como se não estivéssemos sozinhos”.

De vez em quando, os homens saíam para almoçar; depois, eles se sentavam em um de seus carros e tocavam um para o outro as músicas em que estavam trabalhando.

“Isso não é algo que eu normalmente faria com alguém”, disse Grohl.

“Talvez seja vergonhoso”, concordou Homme. “Mas com ele eu não me sinto assim”.

Enquanto os filhos de Homme brincavam com jogos antigos no lobby do Studio 606 — a família foi para a praia depois da nossa conversa — ele e Grohl descreveram sua relação como especial tanto por sua longevidade (“Essas coisas, elas não tendem a durar “, disse Homme) quanto por seu alinhamento criativo.

“Honestamente, enquanto baterista, ele é a única pessoa com quem eu quero tocar”, disse Grohl, que tocou bateria no Them Crooked Vultures e no álbum Songs for the Deaf, do Queens of the Stone Age, de 2002. “Eu toco com outras pessoas. Mas Josh me faz sentir como se eu fosse o baterista que eu quero ser”.

Foto por: Kirk McKoy/Los Angeles Times

Homme disse ser continuamente inspirado pela ambição de Grohl, ao qual o outro se referiu rindo como “esse ridículo dirigível Goodyear”.

Após o álbum anterior do Foo Fighters, Sonic Highways — que a banda gravou em oito cidades diferentes enquanto era seguida por uma equipe de filmagem da HBO — Grohl disse que tinha uma ideia para fazer o próximo álbum “de uma maneira ainda mais impossível”: ele queria construir um estúdio no palco do Hollywood Bowl e convidar uma audiência para assistir enquanto a banda montava suas faixas.

Ideias mais “pé no chão” eventualmente prevaleceram. Mas Grohl ainda tinha uma data reservada no Bowl, o que levou alguém de sua equipe a sugerir fazer uma festa de lançamento do disco lá. Quando o líder decidiu que o local não era grande o suficiente, o Cal Jam nasceu.

Grohl reconhece que ele está entrando em uma cena de festival extremamente lotada — e fazendo isso bem ao fim de uma temporada em que muitos fãs já gastaram horrores para participar do Coachella ou FYF Fest ou do Classic West. (Um ingresso normal para o Cal Jam custa 99 dólares, cerveja e bolos não inclusos).

Ainda assim, ele está confiante de que seu show proporcionará uma experiência memorável, com “shorts jeans, Michelob, queimaduras solares e bigodes”, como ele disse. E uma lista de bandas escolhidas à mão, que ele disse que constitui uma espécie de “árvore genealógica extensa”.

“É a primeira vez que conseguimos fazer nosso próprio dia de música com nossos amigos”, disse Grohl.

“Pense nisso como o Etsy dos festivais de música”, afirmou Homme, referindo-se ao site de venda de artesanato. “Muitas coisas serão penduradas nos cabelos do seu peito neste lugar”.

Tradução: Stephanie Hahne
Matéria original: LA Times, por Mikael Wood

Lars Ulrich (Metallica) entrevista Dave Grohl; assista com legendas

Dave Grohl foi entrevistado por ninguém mais, ninguém menos que o icônico Lars Ulrich, do Metallica!

A entrevista fez parte do programa de rádio que o baterista comanda na Apple’s Music Beats 1, chamado It’s Electric!, e lá os músicas discutiram sobre o Foo Fighters, Paul McCartney, Liam Gallagher, Lemmy Kilmister, Them Crooked Vultures e mais.

Confira abaixo na íntegra e com legendas em português:


Entrevista Dave Grohl por FooFightersBrasil

Matéria: Stephanie Hahne
Legendas: Stephanne Alves

Entrevista: Rollbando, a banda que gravou no estúdio do Foo Fighters

Em Fevereiro de 2015, postamos lá na nossa página do Facebook sobre um leilão mega legal que dava direito a dois dias de gravação no Studio 606, propriedade de Dave Grohl (Foo Fighters). Quem teve a iniciativa foi o americano Mike Squires, que ganhou este presentão da própria banda para que pudesse pagar pelo tratamento de câncer de sua mãe, Charlotte.

Acontece que, para a nossa surpresa, os sortudos que abocanharam esta oportunidade foi uma banda do Brasil, os paulistanos do Rollbando. Os caras viajaram para Los Angeles e gravaram quatro músicas para o EP Anallogico, que será lançado no dia 24 de Junho, lá na famosa mesa de mixagem Neve 8078, o centro das atenções do documentário Sound City Movie. Nessa mesma mesa, o Nirvana gravou o lendário Nevermind (1991), assim como grupos como Red Hot Chili Peppers, Rancid, entre outros.

Conversamos com Du Oliva (voz/guitarra), Bernie Walbenny (baixo/backing vocal), Bruno Manfrinato (guitarra) e Betto Cardoso (bateria) para saber um pouco mais de como foi a experiência de ser o primeiro grupo brasileiro a gravar no estúdio do Foo Fighters, e ao fim da matéria, você ainda pode conferir o documentário que a banda fez por lá, a música “Não Me Lembro” e uma galeria de fotos exclusiva.

Leia:

Qual era a relação da banda com o Foo Fighters antes da oportunidade do estúdio? Eram fãs? Já tinham um som inspirado neles?

Du: Éramos – e agora somos ainda mais – muito fãs da banda, pela música e pelo que eles representam para o rock e para a nossa geração. Eles nos inspiraram a trabalhar muito duro para chegar no estúdio afiados para fazer uma gravação à moda antiga, ao vivo, todos tocando juntos em um processo todo analógico, sem edições e com pouquíssimo tempo. O que se ouve é o que a banda realmente é. A inspiração vem principalmente do fato de eles incentivarem os músicos e bandas a fazerem seu próprio som, e a fazerem de verdade.

Bernie: Além disso, tínhamos ido na grade do show no Morumbi (2015). Eu, o Du e o Clever, que co-dirigiu o documentário da viagem comigo. Nem imaginávamos o que viria.

Rolou muita conversa antes de decidir tentar o leilão ou já entraram de cabeça na ideia?

Bernie: Na real o Du me marcou numa publicação falando do leilão e instantaneamente coloquei na cabeça que iríamos ganhar, não teve muito o que conversar.

Houve financiamento coletivo? Os fãs da banda apoiaram de cara?

Du: Não houve (risos). Fizemos um racha coletivo entre nós e os irmãos da Freak Company, que gravaram por lá também, o nosso produtor Granja e nosso amigo Chula, que gravou guitarras conosco também. Além de muitos amigos e família que nos apoiaram de maneira impressionante. Sem todas essas pessoas não teríamos vivido esse dia surreal.

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Dave Grohl e a famosa Neve 8078

E o sentimento quando viram que deu certo? Teve festa?

Bernie: Acho que só depois que a gente gravou as músicas que caiu a ficha, antes disso era tudo muito surreal.

Betto: Eu festejei, cara, apesar que você ter uma carreira e estar em L.A. significa business, eu arranjei bastante tempo pra celebrar, muita coisa massa rolou, o resultado do play foi apenas uma delas.

Du: Claro! Buscamos alguns packs de cerveja e já começamos a relaxar durante a mixagem das músicas. Havia muito pouco tempo para tudo, o Granja fez um trabalho incrível e em pouco mais de três horas de mixagem já estávamos celebrando o resultado final, com muito orgulho.

Levaram músicas já prontas ou o lugar deu uma inspiração a mais pra compor?

Bernie: Escolhemos as quatro músicas aqui no Brasil e nos preparamos bastante para chegar e gravar ao vivo. Tínhamos o nosso produtor, Luis Granja Venturin do Black Bridge Studios, acompanhando todo o processo e nos auxiliando nesse treino. Fizemos algumas simulações de como seria lá, gravando a banda ao vivo. O lugar deu a inspiração pra executar bem, tanto que três músicas gravamos na primeira execução e apenas uma tivemos que tocar outra vez. Como era fita de rolo, ao vivo, não tínhamos muito tempo. Foi um dia pra gravar e mixar.

Betto: Se a gente tivesse um diazinho a mais, eu tenho certeza que rolaria pelo menos mais dois sons – pelo menos! O lugar transborda inspiração, fora os discos de ouro e premiações espalhados por todo canto.

Du: Foi tudo muito surreal, difícil de cair a ficha quando se entra na casa dos caras. As músicas já estavam prontas e muito ensaiadas, pois em um processo como foi não há espaço para erros. Foi tudo muito inspirador, você absorve uma energia positiva para levar pelo resto da vida, para continuar fazendo o que ama e lutando todo dia pela sua música e pelas pessoas que ama, que estão com você para o que vier.

Rollbando no Studio 606, por Cléver Cardoso

Como foi a experiência de estar no estúdio do Dave Grohl e gravar no mesmo lugar que o Foo Fighters e outras grandes bandas?

Bernie: Inacreditável. Nos corredores do estúdio estão discos de ouro, platina, diamante, posters, prêmios e a vasta história das bandas que o Dave participou.

Betto: Épico, e eu ainda volto lá, com certeza. Preciso gravar um disco inteiro naquele lugar com aquele processo. O lance é sobre você saber o som que quer tirar, porque pra muitas bandas aquele estúdio simplesmente não funcionaria, mas o tamanho daquela sala e a Neve te dão essa peculiaridade. Se quer algo metálico, digital, cheio de agudo, esquece, lá não é o lugar pro seu disco. E se você ta lá, que seja aveludado, “vintajão”.
Du: Estar exatamente naquele estúdio e gravar um trabalho autoral onde todas estas bandas que admiramos já gravaram é, para nós, uma realização de uma vida. Mais até do que imaginamos pelo fato de que nunca imaginamos que fosse acontecer um dia. Não dá para classificar além de surreal e muito inspirador. Todo o profissionalismo da equipe do estúdio e os elementos em volta nos ajudaram a cumprir nossa meta, que era gravar e mixar quatro músicas em pouco menos de 10 horas.

Como foi a recepção da equipe do estúdio?

Bernie: Não poderíamos ter sido tratados melhor. Por algum tempo me senti como se fosse do Foo Fighters (risos). Tudo o que pedimos de equipamentos nas trocas de e-mail estava montado quando chegamos, cada detalhe. Se dispuseram a pegar outros equipamentos pra testarmos timbres, foram solícitos e colocaram todo o empenho e talento para que saísse o melhor som possível. Só temos a agradecer ao John Lousteau, Derek Silverman, Wiley Hodgen e Scott Parker pelo suporte.

E a expectativa para o resultado das músicas, superou?

Betto: Eu realmente queria mais tempo pra mixagem. O Granja teve que fazer uma mix na correria num lugar que ele nunca esteve e sem tempo de ter outras referências… Na real, ainda bem que foi o Granja, outro produtor não seguraria a peteca, e ele fez um trampo foda.

Du: Sim, gravar ao vivo traz uma energia diferente, as músicas soam muito naturais, com muita vida, dinâmica. E o som de uma gravação analógica é muito diferente. A textura do som daquela mesa é muito diferente, soa bem como nos álbuns icônicos que foram gravados nela.

Para encerrar, falem pra gente qual é o futuro da banda agora depois desse baita pontapé.

Bernie: Show. Essa é a vida de banda. Vamos lançar o EP, clipe e cair nos butecos da vida. Dia 9 de Julho acontece o lançamento do EP em São Paulo, no Z Carniceria com a banda Versalle.

Betto: Demos! A banda tem dois EPs, cada um com uma formação, e agora tem uma nova. O lance é fazer um álbum completo com muita personalidade, mas só vai rolar assumir esse tipo de responsabilidade se a gente fizer demos atrás de demos, gravar e regravar… Na verdade, é a fórmula que as grandes bandas usam pra moldar a “cara” do play, vamos tentar não fugir disso!

Du: Poxa, queremos mesmo é tocar por aí! É só chamar que vamos, onde for! Tem clipe novo saindo em breve, o EP completo também. Temos um EP lançado em 2014, Tem Sempre Alguém te Rollbando, com músicas bem legais, dois clipes que nos renderam muita coisa boa, enfim, continuamos na nossa trilha, no nosso tempo. Onde houver uma galera querendo ver um show animado e com muita pressão, é só nos chamar!

Galeria de fotos, por Cléver Cardoso

Por: Stephanie Hahne

 

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