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Entrevista

Dave Grohl e Josh Homme falam sobre o festival Cal Jam e seu “bromance”

Foto por: Kirk McKoy/Los Angeles Times

Em uma sala de gravação quase vazia no seu enorme Studio 606, no vale de San Fernando, Dave Grohl se sentou atrás de um kit de bateria e batucou um forte groove funk, cada batida da caixa reverberando nas paredes do espaço vazio.

“Você sabe o que é uma boa fisioterapia?”, perguntou o líder do Foo Fighters, que quebrou sua perna em 2015 depois de cair do palco durante um show na Suécia.

Em pé, o amigo de Grohl, Josh Homme, o líder das Queens Of The Stone Age que está com uma lesão no joelho, levantou a cabeça para ouvir a resposta.

“Tocar bateria”, disse Grohl.

“Ah, é?”, ele rebateu. “Eu ia dizer [que é uma] dança exótica”.

Este foi um raro desacordo entre esses veteranos de rock de mentalidade parecida, cujo bromance vem desde o início da década de 1990, quando Grohl — então baterista do Nirvana — teve sua mente explodida em um show da banda de stoner-metal de Palm Desert, o Kyuss.

“Eles eram terríveis [na aparência], mas soavam ótimos”, recordou Grohl em uma tarde recente. “Eu fiquei tão ligado neles”.

Desde então, os dois já viajaram e gravaram juntos, e em 2009 eles formaram um supergrupo de curta duração, Them Crooked Vultures, com John Paul Jones do Led Zeppelin.

Agora, os músicos estão se conectando novamente para o Cal Jam, um festival de música agendado para 7 de outubro no Glen Helen Regional Park, em San Bernardino. Nomeado em homenagem ao evento de 1974 que trouxe Deep Purple e Black Sabbath ao Ontario Motor Speedway, o novo Cal Jam apresentará performances de vários atos do rock, incluindo Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Cage the Elephant, Liam Gallagher, The Kills, Babes in Toyland, Wolf Alice e Bob Mould.

O evento que Grohl, de 48 anos, liderou com o apoio da Live Nation, também está preparado para oferecer um parque de diversões, filmes ao ar livre, um estúdio de gravação móvel e uma grande e elaborada exposição chamada Foo Fighters Rock ’n’ Roll Museum.

“Dave é conhecido por suas ideias pequenas”, disse Homme, 44, com uma risada enquanto ele e Grohl fumavam cigarros na bagunçada sala de controle do estúdio.

Atrás de Homme, há uma espada gigante apoiada contra uma parede, uma lembrança da festa de 40 anos de Grohl no Medieval Times (onde Homme relembrou de seu primeiro encontro com Jones, balbuciando nervosamente sobre a vida na “antiga e alegre Inglaterra”). No lado de fora do estacionamento, vários roadies estavam se preparando para desmontar uma cabana de madeira que o Foo Fighters construiu para uma aparição na TV — pelo menos até Grohl anunciar que talvez fosse transportar o objeto para San Bernardino para criar um bar de whisky escondido na floresta em torno do Cal Jam.

No entanto, a ideia mais louca de Grohl pode ser de que uma banda de rock valha todos os problemas que ela rotineiramente envolve. De volta ao tempo do Nirvana, caras com guitarras estavam no topo; hoje em dia eles podem se parecer com arquivistas da idade perdida, em comparação com os DJs e os rappers de SoundCloud que comandam a cultura juvenil.

Com exceção que o Foo Fighters e o Queens of the Stone Age estão prosperando, e não por se recusar a evoluir. Homme conhecidamente nomeou sua banda como uma maneira de combater a vibe excessivamente machista que ele sentia estar arruinando o hard rock. E no verão passado, ambos os grupos lançaram álbuns produzidos por produtores pop de primeira linha.

O gosto de Homme pela aventura o levou a contratar Mark Ronson, conhecido por suas colaborações com Bruno Mars e Lady Gaga, para supervisionar o bem recebido Villains.

“Eu tenho um chip no meu ombro, e quando eu o levanto, ele diz: ‘Tenha uma mente aberta'”, disse Homme, que conheceu Ronson enquanto tocava guitarra no álbum Joanne, de Lady Gaga. “Nós fazemos música — não trabalhamos em uma prisão. Quero reservar o direito de me surpreender.”

Com suas letras mordazes e guitarras cortantes, Villains não chega a ser uma tentativa para o Top 40 das rádios; “a vida é difícil / é por isso que ninguém sobrevive”, Homme canta no início da primeira música do álbum, “Feet Don’t Fail Me”.

Como o título sugere, porém, Ronson colocou uma nova ênfase na movimentação rítmica da banda em um disco mais dançável do que qualquer um dos anteriores.

Isso é semelhante ao grau de mudança que Grohl estava procurando ao se juntar com Greg Kurstin para gravar o Concrete and Gold, do Foo Fighters, que entrou em primeiro lugar na Billboard 200 nesta semana. Em fevereiro, Kurstin foi nomeado produtor do ano no Grammy Awards em reconhecimento ao seu trabalho com Adele e Sia, entre outros.

No entanto, Grohl insiste que ele recrutou Kurstin não necessariamente para fazer hits, mas para aumentar a complexidade harmônica de sua música — um trabalho que ele pensou que Kurstin seria capaz de fazer graças ao projeto peculiar de eletro-pop do produtor, o Bird and the Bee.

Ele estava certo: músicas como “Run” e “The Sky Is a Neighborhood” entregam o rock esperado do Foo Fighters, mas vêm também com vocais densos e em camadas que fazem eco com a sonoridade dos Beatles e dos Beach Boys.

Homme e Grohl disseram que cada um decidiu em chamar um colaborador improvável sem saber que o outro tinha feito a mesma coisa. Mas as duas bandas acabaram trabalhando a alguns metros uma da outra em Hollywood: o Foo Fighters no EastWest Studios, e o Queens of the Stone Age na United Recording, ambos na Sunset Boulevard, perto da Gower Street.

“Eu estava ansioso para ir ao estúdio todos os dias e gravar meu disco”, disse Grohl. “Mas eu também estava ansioso para descer e roubar os donuts do Josh e ficar lá nas primeiras três horas de todos os dias. Era tipo o ‘Hill Street Blues'”.

“Deixe-me saber sua opinião sobre este caso arquivado”, acrescentou Homme com uma voz de detetive exagerada.

“Bandas de rock fazendo discos vitais, tentando empurrar as fronteiras — estes dias são poucos e distantes”, continuou Grohl. “Ter Josh tão perto me fez sentir como se não estivéssemos sozinhos”.

De vez em quando, os homens saíam para almoçar; depois, eles se sentavam em um de seus carros e tocavam um para o outro as músicas em que estavam trabalhando.

“Isso não é algo que eu normalmente faria com alguém”, disse Grohl.

“Talvez seja vergonhoso”, concordou Homme. “Mas com ele eu não me sinto assim”.

Enquanto os filhos de Homme brincavam com jogos antigos no lobby do Studio 606 — a família foi para a praia depois da nossa conversa — ele e Grohl descreveram sua relação como especial tanto por sua longevidade (“Essas coisas, elas não tendem a durar “, disse Homme) quanto por seu alinhamento criativo.

“Honestamente, enquanto baterista, ele é a única pessoa com quem eu quero tocar”, disse Grohl, que tocou bateria no Them Crooked Vultures e no álbum Songs for the Deaf, do Queens of the Stone Age, de 2002. “Eu toco com outras pessoas. Mas Josh me faz sentir como se eu fosse o baterista que eu quero ser”.

Foto por: Kirk McKoy/Los Angeles Times

Homme disse ser continuamente inspirado pela ambição de Grohl, ao qual o outro se referiu rindo como “esse ridículo dirigível Goodyear”.

Após o álbum anterior do Foo Fighters, Sonic Highways — que a banda gravou em oito cidades diferentes enquanto era seguida por uma equipe de filmagem da HBO — Grohl disse que tinha uma ideia para fazer o próximo álbum “de uma maneira ainda mais impossível”: ele queria construir um estúdio no palco do Hollywood Bowl e convidar uma audiência para assistir enquanto a banda montava suas faixas.

Ideias mais “pé no chão” eventualmente prevaleceram. Mas Grohl ainda tinha uma data reservada no Bowl, o que levou alguém de sua equipe a sugerir fazer uma festa de lançamento do disco lá. Quando o líder decidiu que o local não era grande o suficiente, o Cal Jam nasceu.

Grohl reconhece que ele está entrando em uma cena de festival extremamente lotada — e fazendo isso bem ao fim de uma temporada em que muitos fãs já gastaram horrores para participar do Coachella ou FYF Fest ou do Classic West. (Um ingresso normal para o Cal Jam custa 99 dólares, cerveja e bolos não inclusos).

Ainda assim, ele está confiante de que seu show proporcionará uma experiência memorável, com “shorts jeans, Michelob, queimaduras solares e bigodes”, como ele disse. E uma lista de bandas escolhidas à mão, que ele disse que constitui uma espécie de “árvore genealógica extensa”.

“É a primeira vez que conseguimos fazer nosso próprio dia de música com nossos amigos”, disse Grohl.

“Pense nisso como o Etsy dos festivais de música”, afirmou Homme, referindo-se ao site de venda de artesanato. “Muitas coisas serão penduradas nos cabelos do seu peito neste lugar”.

Tradução: Stephanie Hahne
Matéria original: LA Times, por Mikael Wood

Lars Ulrich (Metallica) entrevista Dave Grohl; assista com legendas

Dave Grohl foi entrevistado por ninguém mais, ninguém menos que o icônico Lars Ulrich, do Metallica!

A entrevista fez parte do programa de rádio que o baterista comanda na Apple’s Music Beats 1, chamado It’s Electric!, e lá os músicas discutiram sobre o Foo Fighters, Paul McCartney, Liam Gallagher, Lemmy Kilmister, Them Crooked Vultures e mais.

Confira abaixo na íntegra e com legendas em português:


Entrevista Dave Grohl por FooFightersBrasil

Matéria: Stephanie Hahne
Legendas: Stephanne Alves

Entrevista: Rollbando, a banda que gravou no estúdio do Foo Fighters

Em Fevereiro de 2015, postamos lá na nossa página do Facebook sobre um leilão mega legal que dava direito a dois dias de gravação no Studio 606, propriedade de Dave Grohl (Foo Fighters). Quem teve a iniciativa foi o americano Mike Squires, que ganhou este presentão da própria banda para que pudesse pagar pelo tratamento de câncer de sua mãe, Charlotte.

Acontece que, para a nossa surpresa, os sortudos que abocanharam esta oportunidade foi uma banda do Brasil, os paulistanos do Rollbando. Os caras viajaram para Los Angeles e gravaram quatro músicas para o EP Anallogico, que será lançado no dia 24 de Junho, lá na famosa mesa de mixagem Neve 8078, o centro das atenções do documentário Sound City Movie. Nessa mesma mesa, o Nirvana gravou o lendário Nevermind (1991), assim como grupos como Red Hot Chili Peppers, Rancid, entre outros.

Conversamos com Du Oliva (voz/guitarra), Bernie Walbenny (baixo/backing vocal), Bruno Manfrinato (guitarra) e Betto Cardoso (bateria) para saber um pouco mais de como foi a experiência de ser o primeiro grupo brasileiro a gravar no estúdio do Foo Fighters, e ao fim da matéria, você ainda pode conferir o documentário que a banda fez por lá, a música “Não Me Lembro” e uma galeria de fotos exclusiva.

Leia:

Qual era a relação da banda com o Foo Fighters antes da oportunidade do estúdio? Eram fãs? Já tinham um som inspirado neles?

Du: Éramos – e agora somos ainda mais – muito fãs da banda, pela música e pelo que eles representam para o rock e para a nossa geração. Eles nos inspiraram a trabalhar muito duro para chegar no estúdio afiados para fazer uma gravação à moda antiga, ao vivo, todos tocando juntos em um processo todo analógico, sem edições e com pouquíssimo tempo. O que se ouve é o que a banda realmente é. A inspiração vem principalmente do fato de eles incentivarem os músicos e bandas a fazerem seu próprio som, e a fazerem de verdade.

Bernie: Além disso, tínhamos ido na grade do show no Morumbi (2015). Eu, o Du e o Clever, que co-dirigiu o documentário da viagem comigo. Nem imaginávamos o que viria.

Rolou muita conversa antes de decidir tentar o leilão ou já entraram de cabeça na ideia?

Bernie: Na real o Du me marcou numa publicação falando do leilão e instantaneamente coloquei na cabeça que iríamos ganhar, não teve muito o que conversar.

Houve financiamento coletivo? Os fãs da banda apoiaram de cara?

Du: Não houve (risos). Fizemos um racha coletivo entre nós e os irmãos da Freak Company, que gravaram por lá também, o nosso produtor Granja e nosso amigo Chula, que gravou guitarras conosco também. Além de muitos amigos e família que nos apoiaram de maneira impressionante. Sem todas essas pessoas não teríamos vivido esse dia surreal.

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Dave Grohl e a famosa Neve 8078

E o sentimento quando viram que deu certo? Teve festa?

Bernie: Acho que só depois que a gente gravou as músicas que caiu a ficha, antes disso era tudo muito surreal.

Betto: Eu festejei, cara, apesar que você ter uma carreira e estar em L.A. significa business, eu arranjei bastante tempo pra celebrar, muita coisa massa rolou, o resultado do play foi apenas uma delas.

Du: Claro! Buscamos alguns packs de cerveja e já começamos a relaxar durante a mixagem das músicas. Havia muito pouco tempo para tudo, o Granja fez um trabalho incrível e em pouco mais de três horas de mixagem já estávamos celebrando o resultado final, com muito orgulho.

Levaram músicas já prontas ou o lugar deu uma inspiração a mais pra compor?

Bernie: Escolhemos as quatro músicas aqui no Brasil e nos preparamos bastante para chegar e gravar ao vivo. Tínhamos o nosso produtor, Luis Granja Venturin do Black Bridge Studios, acompanhando todo o processo e nos auxiliando nesse treino. Fizemos algumas simulações de como seria lá, gravando a banda ao vivo. O lugar deu a inspiração pra executar bem, tanto que três músicas gravamos na primeira execução e apenas uma tivemos que tocar outra vez. Como era fita de rolo, ao vivo, não tínhamos muito tempo. Foi um dia pra gravar e mixar.

Betto: Se a gente tivesse um diazinho a mais, eu tenho certeza que rolaria pelo menos mais dois sons – pelo menos! O lugar transborda inspiração, fora os discos de ouro e premiações espalhados por todo canto.

Du: Foi tudo muito surreal, difícil de cair a ficha quando se entra na casa dos caras. As músicas já estavam prontas e muito ensaiadas, pois em um processo como foi não há espaço para erros. Foi tudo muito inspirador, você absorve uma energia positiva para levar pelo resto da vida, para continuar fazendo o que ama e lutando todo dia pela sua música e pelas pessoas que ama, que estão com você para o que vier.

Rollbando no Studio 606, por Cléver Cardoso

Como foi a experiência de estar no estúdio do Dave Grohl e gravar no mesmo lugar que o Foo Fighters e outras grandes bandas?

Bernie: Inacreditável. Nos corredores do estúdio estão discos de ouro, platina, diamante, posters, prêmios e a vasta história das bandas que o Dave participou.

Betto: Épico, e eu ainda volto lá, com certeza. Preciso gravar um disco inteiro naquele lugar com aquele processo. O lance é sobre você saber o som que quer tirar, porque pra muitas bandas aquele estúdio simplesmente não funcionaria, mas o tamanho daquela sala e a Neve te dão essa peculiaridade. Se quer algo metálico, digital, cheio de agudo, esquece, lá não é o lugar pro seu disco. E se você ta lá, que seja aveludado, “vintajão”.
Du: Estar exatamente naquele estúdio e gravar um trabalho autoral onde todas estas bandas que admiramos já gravaram é, para nós, uma realização de uma vida. Mais até do que imaginamos pelo fato de que nunca imaginamos que fosse acontecer um dia. Não dá para classificar além de surreal e muito inspirador. Todo o profissionalismo da equipe do estúdio e os elementos em volta nos ajudaram a cumprir nossa meta, que era gravar e mixar quatro músicas em pouco menos de 10 horas.

Como foi a recepção da equipe do estúdio?

Bernie: Não poderíamos ter sido tratados melhor. Por algum tempo me senti como se fosse do Foo Fighters (risos). Tudo o que pedimos de equipamentos nas trocas de e-mail estava montado quando chegamos, cada detalhe. Se dispuseram a pegar outros equipamentos pra testarmos timbres, foram solícitos e colocaram todo o empenho e talento para que saísse o melhor som possível. Só temos a agradecer ao John Lousteau, Derek Silverman, Wiley Hodgen e Scott Parker pelo suporte.

E a expectativa para o resultado das músicas, superou?

Betto: Eu realmente queria mais tempo pra mixagem. O Granja teve que fazer uma mix na correria num lugar que ele nunca esteve e sem tempo de ter outras referências… Na real, ainda bem que foi o Granja, outro produtor não seguraria a peteca, e ele fez um trampo foda.

Du: Sim, gravar ao vivo traz uma energia diferente, as músicas soam muito naturais, com muita vida, dinâmica. E o som de uma gravação analógica é muito diferente. A textura do som daquela mesa é muito diferente, soa bem como nos álbuns icônicos que foram gravados nela.

Para encerrar, falem pra gente qual é o futuro da banda agora depois desse baita pontapé.

Bernie: Show. Essa é a vida de banda. Vamos lançar o EP, clipe e cair nos butecos da vida. Dia 9 de Julho acontece o lançamento do EP em São Paulo, no Z Carniceria com a banda Versalle.

Betto: Demos! A banda tem dois EPs, cada um com uma formação, e agora tem uma nova. O lance é fazer um álbum completo com muita personalidade, mas só vai rolar assumir esse tipo de responsabilidade se a gente fizer demos atrás de demos, gravar e regravar… Na verdade, é a fórmula que as grandes bandas usam pra moldar a “cara” do play, vamos tentar não fugir disso!

Du: Poxa, queremos mesmo é tocar por aí! É só chamar que vamos, onde for! Tem clipe novo saindo em breve, o EP completo também. Temos um EP lançado em 2014, Tem Sempre Alguém te Rollbando, com músicas bem legais, dois clipes que nos renderam muita coisa boa, enfim, continuamos na nossa trilha, no nosso tempo. Onde houver uma galera querendo ver um show animado e com muita pressão, é só nos chamar!

Galeria de fotos, por Cléver Cardoso

Por: Stephanie Hahne

 

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