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Nate Mendel

Nate Mendel (Foo Fighters): “tenho quase 50 anos, mas ainda penso como um adolescente”

Foto: Joby Sessions/Future

Texto original: Foo Fighters’ Nate Mendel: “I’m nearly 50 years old, and seriously, I’m still thinking like a teenager”
Por: Joel McIver
Tradução: Stephanie Hahne

“O poder do rock te move” é uma frase que usamos muito no quartel secreto da BGM, em parte porque nos faz rir enquanto tapeamos nossas cordas, mas também porque há uma certa verdade escondida nesta frase para os baixistas de alta persuasão.

Pegue Nate Mendel, do Foo Fighters, por exemplo: um cara simpático que nos ligou para falar sobre o novo álbum de sua banda, Concrete And Gold, o nono nos 23 anos desde que o baterista do Nirvana, Dave Grohl, formou o grupo.

Se você está familiarizado com os grandes sucessos dos Foos — “Monkey Wrench”, “Learn To Fly”, “Times Like These”, “Breakout” e assim por diante — você saberá que eles se especializam em Rock com R maiúsculo, projetado para estádios e amado por multidões em todo o mundo .

Quem é maior do que o Foo Fighters nesta segunda metade dos anos 2010, em termos de números de shows feitos em locais realmente grandes? Ninguém no rock, além do U2 e Guns N’ Roses, embora o Metallica e o Iron Maiden os igualem no mundo do heavy metal, e Taylor Swift, Justin Bieber, Adele, Ed Sheeran e o resto do contingente pop provavelmente superam todos.

Isso torna muito divertido que toda essa grandiosidade no rock não consiga impedir um rapaz de ser intimidado por um produtor com raízes no jazz, como aconteceu com Mendel no início deste ano. (Fique tranquilo, não estou criticando ele aqui: estou incluindo todos nós, não-jazzers, na demografia do “medo do jazz”…)

“Se você está no mundo do rock, o jazz parece ter um pouco de feitiçaria, enquanto nossas regras e normas são um pouco mais simples”, ri Mendel.

“Eu definitivamente estava um pouco nervoso neste álbum, porque o nosso produtor Greg Kurstin é um músico de jazz muito bem educado, mas eu estava ansioso ao mesmo tempo, porque eu quero colaborar com pessoas e me tornar um instrumentista melhor no fim de tudo.”

Mendel e Kurstin se deram bem, apesar dos diferentes contextos, já que o produtor desejava dar ao baixo um lugar de destaque na música.

“Eu entrava com minhas ideias e Greg trabalhava com elas por um tempo, antes de dizer: ‘bem, se você quiser realmente fazer isso, tente isso aqui!'”, lembra Mendel.

“Eu havia saído de dois discos com [a lenda da produção musical] Butch Vig, que é muito particular com o tempo e se certifica de que o baixo não é mais complicado do que precisa ser. Seu objetivo é deixar o baixo simples, sólido e pesado sem arruinar as coisas: ele faz muitas coisas em uma só tomada “.

Concrete And Gold

Concrete And Gold, no qual Mendel e Grohl são acompanhados pelos guitarristas Chris Shiflett e Pat Smear, o baterista Taylor Hawkins e o tecladista Rami Jaffee, é um trabalho refinado, carregado de texturas influenciadas pelos Beatles e Queen e uma estranha balada acústica aqui e ali.

“Estou muito satisfeito com isso, é um dos meus favoritos,” diz Mendel. “Eu me estiquei um pouco neste, e troquei tudo: nós conseguimos um excelente som com o qual estou satisfeito”.

Uma das músicas, “La Dee Da”, começa com uma faixa de baixo incrível e cheia de fuzz, enfeitiçada por Kurstin e sua equipe de engenharia.

“Aquilo não é um pedal, é Greg usando o Logic”, diz o baixista. “Nós gravamos a parte seca no Pro Tools e então eles configuraram uma segunda plataforma com o Logic para fazer ajustes e adicionar efeitos. É divertido, porque acabei de comprar um pedal JHS Four Wheeler, que é um pedal de distorção que possui uma saída de ruído incorporada.

“O efeito que Greg colocou lá faz mais ou menos o mesmo. É um ótimo pedal: acabamos de fazer 10 shows na Europa, e não conseguimos fazer a passagem de som em nenhum deles, então eu apenas liguei esse pedal e tocamos.”

O tom do baixo no álbum, sem contar as partes editadas no Logic, tem um baque pesado que se adapta às guitarras de Grohl e Shiflett, graças a uma troca de cordas.

“Eu acabei tocando notas mais ‘rasas’ no estúdio — era coisa do Greg. Sempre gostei de um som ao vivo no baixo, e eu gosto de que as notas toquem completamente, mas para este disco eu usei um tom mais profundo e mais ‘amadeirado’ e, na verdade, funcionou muito bem. Greg estava realmente curtindo este som, e eu também gostei disso.”

Como acontece geralmente, quando as grandes bandas com um grande orçamento entram em grandes estúdios, havia uma seleção invejável de equipamentos para que Mendel pudesse escolher.

“No estúdio, havia seis ou sete instrumentos,” lembra ele, “e para as duas ou três primeiras músicas, você usa todos os seis ou sete, mas depois acaba escolhendo um e seguindo com ele, porque parece ser o melhor. Neste disco, usei principalmente baixos Precision personalizados em uma loja que foram feitos para mim no final dos anos 90: basicamente são o que o meu baixo de assinatura se transformou “.

Modelo de assinatura

Ah, sim, o Fender Nate Mendel Precision, disponível agora por £ 949 (aproximadamente R$ 3.600). Qual das especificações do instrumento é exclusivamente dele, perguntamos?

“É um baixo bem típico,” ele explica, “mas eu tinha pickups diferentes, e uma ponte mais espessa. O principal era tentar obter a forma do braço corretamente. No lote dos baixos de 1971 que os meus vieram, acho que eles estavam tentando dividir a diferença entre a sensação de um braço Precision e um braço Jazz. É um pouco mais largo do que um braço Jazz, o que para mim parece um pouco demais.”

Há quatro anos, nosso testador Mike Hine considerou: “apesar da simplicidade dos circuitos passivos, o Nate Mendel P-Bass não é um ‘pônei de um só truque’. A ponte Badass II, maior e mais robusta do que as pontes Fender antigas, juntamente com o moderno Seymour Duncan pickup, contribuem para homenagear o Precision de 71, ao mesmo tempo que adiciona uma vantagem refrescante e moderna. Pela própria admissão de Mendel, a nova tecnologia torna o som deste baixo melhor do que o seu arquétipo.”

Nós transmitimos isso para Mendel e ele diz: “obviamente, eu sou suspeito para falar, mas se você não vai comprar uma versão super cara de um Precision, ou um vintage, acho que é um bom caminho a seguir. Eu amo os ‘enfeites’: o cabeçote é bem claro e com cara de novo. Eu não gosto de instrumentos que imitam relíquias: para mim, isso é trapaça! Eu queria encontrar o meio termo entre um baixo antigo e um baixo que parece ser feito na semana passada.”

Além de seus próprios Fenders, o que mais ele tem em sua coleção?

“Estou misturando agora. Eu tenho feito algumas compras, porque na verdade não compro novos baixos há muito tempo — não sou muito de colecionar instrumentos. Eu toquei guitarra na minha banda solo [Lieutnant] por um longo tempo e, quando voltei ao baixo, comecei a prestar atenção no tom e assim por diante, e é por isso que eu tenho comprado baixos ultimamente.”

Para os amplificadores, Mendel veio para o nosso lado, ele nos diz.

“Eu uso os amplificadores Ashdown BTA, os híbridos sólidos/tubulares. Quando eu estava crescendo nos anos 70, toquei com um Ampeg SVTs como todos os outros: naquela época, não havia muita opção. Assim que você conseguia juntar $ 1.200 para um baixo Precision e um SVT, você estava pronto para ir, certo? Mas eu não viajo com meus SVTs porque eles são velhos e delicados, então é por isso que mudei para o Ashdown, que está disponível e é a réplica mais próxima desse som. Eu também tenho um fantástico pedal de distorção com o Ashdown, o NM2.”

Equipamentos bem legais, então. Será que Mendel gosta de um toque de modelagem de amplificadores, agora que a tecnologia é acessível e onipresente?

“Eu apenas modelei meu som do SVT com um Kemper, na verdade”, ele nos diz. “Usamos o mesmo cabo, o mesmo microfone e a mesma sala de controle que gravamos. Estou interessado em saber se vai sair do mesmo jeito que o equipamento real. Eu sei que para as guitarras é bem tranquilo, mas para o baixo pode ser um pouco mais difícil de replicar.”

Foto: Joby Sessions/Future

Ferrão na cauda

A juventude de Mendel como um garoto punk de Richland, Washington, já passou há muito tempo. “Eu só queria estar em uma banda,” lembra ele, “e havia um cara com quem estava conversando naquele tempo que tocava violão. Eu estava ouvindo o álbum Ghost In The Machine do The Police na época, e estava vidrado no Sting, então, quando meu amigo sugeriu que eu deveria tocar baixo, pensei que parecia uma ótima ideia.”

Certamente foi — então, qual foi o primeiro baixo? “Eu ganhei uma réplica de um Steinberger pela Cort, porque era a década de 80, e era isso que você fazia quando tinha 13 anos naquela época!”, ele ri.

“Eu consegui um pequeno amplificador para praticar e a gente brincou um pouco, mas a banda não durou muito. Depois disso entrei no punk rock e segui para um Ibanez Roadstar e um Kramer preto, uma espécie de baixo Travis Bean. Juntei-me a essa banda chamada Christ On A Crutch e comprei um P-Bass por U$ 200 do vocalista. Esse foi o modelo com o qual meu baixo de assinatura foi feita.”

E o resto é história. Mendel já entrou no território das cinco cordas? “Não!” ele ri, antes de pausar para explicar. “No nosso acampamento, as cinco cordas são bastante ilegais. É divertido, porque compreendo totalmente o valor daquela quinta corda, mas é apenas uma dessas linhas que você não atravessa.”

Entendemos. São as “regras punk”, certo? “Provavelmente, sim. Eu sei, tenho quase 50 anos e, sério, ainda penso como um adolescente,” ele suspira. “Desculpe, cara, algumas coisas são construídas [em você]”.

Ele não precisa se preocupar: este é um tema recorrente aqui. Muitas vezes, entrevistamos baixistas, particularmente americanos com idade entre 35 e 50 anos, que cresceram no punk, e nesse ambiente havia três regras inquebráveis ​​para o baixista. Um, não toque mais de quatro cordas; dois, não toque sem traste; três, nunca – nunca toque slap bass.

“Oh, meu Deus… eu meio que queria poder dar uns tapas (slaps),” diz Mendel. “Está na moda de novo, eu acho. No outro dia Taylor, Chris e eu estávamos fazendo uma jam na sala de ensaio com uma antiga música do U2 que tinha uma parte de slap. Foi divertido, e a música foi boa para isso. Talvez seja hora de reavaliar. Qual é o oposto dos tapas, quando você puxa para cima? Um peteleco? Talvez eu poderia fazer um desses aqui e ali.”

Equipamento de tour

Se o próximo álbum do Foo Fighters tiver uns tapas, você sabe onde ele conseguiu a ideia. Os Foos vão sair novamente em turnê em 2018: que baixos ele estará levando com ele?

“Em turnê, tem sido um pouco como um sorteio recentemente”, ele nos conta. “Eu tenho um monte dos meus Precision, um Jazz, um velho Gibson Ripper, um Epiphone Jack Casady e um Rickenbacker, que eu acho que deve ser um 4001. Quando comprei o Ricky, não conhecia a diferença entre um 4001 e um 4003, mas nosso baterista Taylor Hawkins me ligou de uma loja de guitarra e disse: ‘ei, cara, há um lindo Rickenbacker branco aqui e você deveria vir buscá-lo.’ Ele está tentando me comprar um Rickenbacker desde sempre. Estou curioso para ver qual eu realmente tenho!”

A música do Foo Fighters, projetada para arenas como ela é, deve ser muito pesada para um Ricky, certamente?

“Eu o toquei em algumas músicas no ensaio recentemente, e não era realmente apropriado para o que estamos fazendo,” ele acena com a cabeça, “mas ainda soa incrível! Eu nunca me sentei de verdade para descobrir quais baixos soam melhor para quais músicas, então estou ansioso para fazer isso. Eu terei algum tempo para realmente pensar sobre isso quando nos reunirmos para ensaiar para a próxima turnê. Eu tenho um rack de baixos antigos que eu acho que pode parecer bom. Vou experimentá-los para diferentes músicas. Talvez ‘Learn To Fly’ soa melhor com um Guild Starfire, quem sabe?”

Ele conclui: “felizmente, meu técnico de baixo Geoff Templeton está disposto a entender isso tanto quanto eu. Ele vai voar para cá em algumas semanas e vamos passar por tudo — pickups, cordas, amplificadores — e apenas mergulhar nisso por alguns dias. Nós vamos ficar muito felizes com isso.”

Parece um dia ideal para a gente — alguém gostaria de uma viagem a Washington…?

Foo Fighters sobre o futuro da banda: “Gravar um álbum convencional não é mais o suficiente”

Quando Dave Grohl levou seu tombo traumático no Estádio Ullevi, na Suécia, no dia 12 de junho, ele e sua banda estavam a todo vapor. O projeto Sonic Highways, lançado no ano passado, deu um gás nos caras. A banda caiu na estrada com uma intensidade que não era vista nos Foos “desde os anos 90” e já estavam firmando planos de dirigir uma segunda temporada da série da HBO quando o desastre aconteceu, insinuando a NME que isso deu toda uma vibe anglocêntrica ao projeto: “Pode ser apenas na Inglaterra, ou na Inglaterra e outros lugares, ou talvez sejam lugares na América e pessoas de outros países que são inspiradas por estes lugares da América,” brincou Grohl. Ainda mais intrigante, nos últimos meses, o vocalista tinha dado algumas dicas sobre a forma que o próximo álbum terá, também, e como o seu conceito superará o de seu antecessor.

“Eu tenho essa ideia há um bom tempo já, talvez cerca de um ano”, ele diz à NME, “mas não é certo ainda. É definitivamente sobre desafiar o artista com o meio ambiente. É uma boa ideia, mas vamos ver o que acontece.” Depois de gravarem o ‘Wasting Light’, de 2011, em uma garagem, e transformarem ‘Sonic Highways’ em uma história da música popular americana, “o maior desafio para nós agora seria apenas entrar em um estúdio e fazer um álbum como qualquer outra banda,” diz ele. “Eu estou quase pensando que é o que devemos fazer – gravar a porra de um álbum como todo mundo faz. Você sabe, no nosso estúdio. Que nós construímos para gravar discos e tal.”

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Ao falar com o baterista Taylor Hawkins sobre o futuro, entretanto, parece improvável que o Foos irão abraçar essa “normalidade” novamente em breve. Como ele diz, “Gravar um álbum convencional não é mais o suficiente. Costumava ser um simples processo de escrever um monte de canções, gravá-las e lança-las. Você fazia um álbum e uns três clipes. Se eles fossem bons, a MTV os tocaria, e você venderia alguns discos. Agora, você precisa fazer alguma a mais coisa com isso.”

Tipo o quê?

“Dave quer que os álbuns tenham algum outro tipo de tema ou experiência ligados a eles. Ele quer que todos os álbuns que façamos a partir de agora tenham algum tipo de conceito em torno deles, sejam esses discos grandiosos como o ‘Sonic Highways’ ou simples como ‘Ei, vamos gravar o ‘Wasting Light em uma fita na minha garagem!’”

E se o resto da banda não estiver com tanta certeza em relação a essas ideias?

“É a visão do Dave”, Hawkins dá de ombros. “Tudo começou com ele e uma fita demo, e ele sempre soube qual o melhor caminho a seguir com o Foo Fighters. Eu não vou entrar e ficar tipo, ‘Ei, vamos escrever uma ópera-rock’, porque eu posso fazer esses pequenos e divertidos discos sozinho. Estes são os pequenos e divertidos discos do Dave e somos a sua banda, nós o ajudamos a fazê-los. Mesmo quando eu e Nate saímos para comer um hambúrguer e depois dizemos, ‘hmm, não tenho muita certeza sobre isso,’ ainda temos que ter fé e continuar tentando.”

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Foto por Magdalena Wosinska

Hawkins e Nate Mendel já fizeram seus “pequenos e divertidos discos” recentemente – Hawkins com o LP do Birds of Satan lançado no ano passado e Mendel com seu próprio projeto paralelo, Lieutenant. Em contrapartida, Grohl, que reconhece a sua reputação como um “colaborador em série do caralho”, tem estado tranquilo nas suas atividades extracurriculares, porém, isso está prestes a mudar. “Então a lendária banda americana de hardcore, Blast, liga e diz: ‘Ei, você quer tocar no nosso novo álbum?’ Agora, o Blast não lança um álbum novo há 30 anos. Eles disseram: ‘Nosso baterista e baixista não puderam se juntar a nós, por isso temos o Chuck Dukowski do Black Flag no baixo, você quer tocar bateria para nós?’ Porra, sim, eu vou tocar bateria para o Blast. O disco é brutal e surpreendente, e eu tenho que tocar com o Chuck Dukowski, que é um dos meus heróis. Essa é a grande recompensa: ver alguém que você ouviu a vida toda gravar um disco.” A cura começa aqui.

[ATUALIZAÇÃO]: Na matéria original da revista, foi acrescentado o “Guia do Foo Fighters sobre a majestade do Motorhead“. Leia abaixo:

Os Foos Taylor Hawkins e Nate Mendel falaram um pouco sobre a banda mais foda das paradas, o Motorhead.

Taylor Hawkins: “Ver o Motorhead tocar é uma das experiências mais puras do rock’n roll que você pode ter. O Lemmy é um pedaço vivo do rock ‘n roll, sério. Nós o conhecemos e tocamos com ele algumas vezes, ele também pode ser um cara bem amável.”

Nate Mendel: “Sabe aquelas pessoas que gostam de toda essa mágica de viver um estilo de vida rock ‘n roll e ter uma certa originalidade, mas na verdade são como todo mundo? Eles farão mais ou menos isso, tipo ‘Oh, agora vou lá fazer meu rock ‘n roll’. Mas com Lemmy, esse estilo de vida está em cada fibra do seu corpo. Então se alguém quer ver um doidão autêntico do rock ‘n roll, veja o Motorhead.”

Taylor: “Ele vai socar a sua cara por chamá-lo de doidão, cara. Ele vai chutar sua bunda por isso!”

O Motorhead toca no mesmo dia que o Foo Fighters tocaria no festival Glastonbury.

Matéria original: Dave Grohl And Taylor Hawkins On Where Next For Foo Fighters: “It’s Not Enough To Just Make A Fucking Record Any More”, por NME em 22 de junho de 2015.
Tradução: Stephanie Hahne

Nate Mendel: o Foo Fighters quer “justificar outros 20 anos” com próximo álbum

No dia 7 de abril, o Foo Fighters lançou o DVD com a aclamada série Sonic Highways, da HBO, completa e com uma tonelada de bônus e entrevistas estendidas.

Ontem, antes do show de seu projeto solo Lieutenant em Toronto, a Riffyou.com perguntou ao baixista (e agora frontman!) Nate Mendel sobre qual direção criativa a banda pretende alcançar nos próximos projetos.

“Eu gostaria de fazer o que nos propusemos a fazer, que é o de encontrar novas formas de fazer um disco do Foo Fighters”, respondeu Mendel. “[O Sonic Highways] tinha um tema e um propósito. Havia elementos adicionados ao que a banda sempre fez – não só apenas fazer a série e ter esse elemento documental -, mas de forma criativa com a forma como Dave estava escrevendo suas letras e da maneira que escolheu para gravar”.

Mendel observou que é importante manter-se criativamente inventivo, mas também não depender o tempo todo de uma novidade para obter progresso.

“O Foo Fighters tem um som”, disse Mendel. “Esqueça, o próximo álbum não vai soar radicalmente diferente de qualquer um dos outros – é um tipo de dom. Então, são as coisas em torno dele que vamos nos esforçar para tornar interessantes, para justificar mais 20 anos”.

Então o Foo Fighters estará por aí por mais 20 anos?

“Sim, acho que sim. Quer dizer, eu sou incapaz de conseguir um emprego. Eu sou completamente ‘inempregável’”, disse Mendel com uma dose espessa de humor e sarcasmo. “Mas não é só isso. Não se trata de ‘Isso é a única coisa que eu fiz na vida, por isso vamos continuar a fazer isso.’ Nós gostamos de ser uma banda e eu acho que nós ainda estamos fazendo um bom trabalho e ainda nos divertimos. Essa é a justificativa… e não sabemos fazer mais nada (risos)”.

Matéria original:Mendel: Foo Fighters Want to “Justify Another 20 Years“, 2 de Abril de 2015. RiffYou.com
Tradução: Stephanie Hahne

À vontade: uma entrevista com o frontman Nate Mendel sobre seu projeto, o Lieutenant

Por Robert Gluck

Tenho certeza de que todos conhecem o Foo Fighters. Quer se trate de suas canções clássicas, seu vasto catálogo, ou até mesmo o seu mais novo álbum, Sonic Highways, é difícil não ouvir falar daquela que parece ser a maior banda de rock da atualidade. Em 2014, a banda divulgou seu LP junto de um documentário da HBO. Este documentário acompanha a banda enquanto eles viajam pelas principais cidades em os EUA, escrevem uma música inspirada na cultura e história de cada área, e gravam cada faixa. Este processo provocou uma semana de trabalho de cinco dias para a banda, enquanto eles trabalharam incansavelmente para prestar uma homenagem a cada cidade.

Quando os fins de semana chegavam, o baixista Nate Mendel ia para o estúdio para terminar o trabalho de seu primeiro álbum solo. If I Kill This Thing We’re All Going To Eat For A Week foi lançado em 10 de março sob o nome Lieutenant. Este projeto mostra um Mendel largando o baixo para partir para a guitarra e vocais, e conta com seu colega de Sunny Day Real Estate, Jeremy Enigk, Chris Shiflett do Foo Fighters, amigos da banda Modest Mouse e muitos mais.

O que torna este um dos discos mais emocionantes de 2015 para mim é a diversidade. O que começou como alguns licks aleatórios em uma guitarra transformou-se em nove faixas muito bem construídas. À medida que Mendel investia mais, ele tornou-se mais confortável com a ideia de cantar e tocar guitarra. Toda vez que você vê um músico colocar suas vulnerabilidades em exposição, ele cresce enquanto músico.

E enquanto este músico em questão estava em turnê com o Foo Fighters, na Austrália, ele separou um tempinho para conversar sobre este novo projeto. Os tópicos de discussão incluem o processo de escrita, o seu lineup ao vivo, e em qual momento tudo isso desencadeou. Nós também falamos sobre seus medos durante a gravação, o que ele aguarda desta turnê, e de qual baterista ele prefere: o frontman Dave Grohl ou o baterista Taylor Hawkins. Leia a entrevista na íntegra abaixo:

Você tem estado muito ocupado com Foo Fighters nos últimos dois anos. Quando você começou a escrever para este disco solo?

Cerca de cinco anos ou mais atrás, eu comecei a brincar com algumas ideias de guitarra que eu tinha em mente. Eu comecei a gravar pedaços aqui e ali e em um ponto no tempo eu me perguntei: “E se eu pudesse fazer essas músicas? Como elas soariam?” Eu terminei duas canções enquanto estava na turnê de reunião do Sunny Day Real Estate há alguns anos.

Eu, então, as coloquei de lado porque estávamos muito ocupados com algumas coisas do Foo Fighters. Voltei para elas depois e comecei a levá-las mais a sério.

Em qual momento tudo isso desencadeou? Em que ponto você pensou, “Eu vou fazer isso. Eu vou gravar este álbum.”

Para mim, foi basicamente no momento que eu comecei a fazê-lo. Quando o meu amigo Joe Plummer [Modest Mouse, The Shins] se envolveu, e foi muito divertido trabalhar com ele, eu adorei. Nesse ponto, eu quis levar isso o mais longe possível. Eu estava tipo, “Vamos gravar isso”, mesmo eu estando morrendo de medo (risos).

Sério?

Sim, mas isso é parte do que faz a vida divertida, certo? Passar por estes momentos (risos).

Ok, então o processo de gravação foi um pouco difícil no começo?

Sim. Só porque naquele momento, meu jeito de tocar guitarra era meio novato ainda. E eu não queria ter essa situação em que, só porque eu tive mais tempo no estúdio, conheço alguns amigos talentosos que poderiam ajudar e usar truques de estúdio, que eu faria o disco soar bem. Eu queria que fosse real. Eu queria que fosse algo que eu toquei e fui responsável. A parte que eu estava realmente com medo era de entrar em um estúdio e tropeçar nos meus próprios pés. 

E quanto tempo você ficou no estúdio?

Eu diria que uns dois meses. Demorou um pouco mais do que o planejado, porque assim que as faixas de bateria foram terminadas, o Foo Fighters entrou em um trabalho de segunda à sexta para começar a escrever o Sonic Highways. Foi mais arrastado porque eu trabalhava com os Foos durante a semana e, nos fins de semana, voltava ao estúdio para fazer alguns overdubs no álbum.

Agora, você fez dois shows em janeiro com a sua banda nova. A programação incluiu membros do Fleet Foxes, The Bronx e Snow Patrol. Esses caras vão continuar com você quando você voltar a excursionar com o Lieutenant em março?

Sim, em sua maior parte. E nós ja temos uma mudança na formação. A agenda do nosso baterista Jorma Vik não deu certo, porque ele estará com a sua banda Mariachi El Bronx na Austrália nesta época. Então, quando eu voltar daqui, estaremos ensaiando com o nosso novo baterista que é, na verdade, da Nova Zelândia. Além disso, serão todos os mesmos caras.

Este ano tem tudo para ser bem interessante para você enquanto músico em turnê, não só porque você está tocando em arenas e estádios como o Citi Field com o Foo Fighters, mas você também vai tocar em lugares menores, como o Mercury Lounge e Johnny Brenda’s com o Lieutenant.

Sim, estarei por toda parte (risos).

Photo: ©Andrew Stuart 2015

 Nate Mendel durante show do Lieutenant, Janeiro de 2015

Sobre o que você mais está ansioso nesta turnê do Lieutenant? Algo em particular?

Bem, eu realmente não tinha ideia do que eu estava me metendo naqueles primeiros dois shows. Minha suspeita é que eu não iria curtir tanto assim até estarmos melhores e com mais experiência. Especialmente como uma banda, e na frente do microfone e do público. Mas eu realmente adorei desde o início. Eu acho que isso é o que eu estou mais ansioso para fazer. Indo de onde estamos agora, para aquilo que tenho em mente, até do modo como acho que a música deve ser apresentada ao vivo. Eu sou um pouco obcecado no momento com essa busca pela perfeição. E a única maneira de fazer isso é tocar, e eu quero fazer isso tanto quanto eu puder.

E deve ser ótimo ter os fãs do Foo Fighters para te apoiar nesta jornada. Deve ser um impulsionador da confiança ir lá, dar tudo o seu tudo em uma posição que você pode não estar totalmente confortável ainda e ver que eles estão ali te apoiando.

Sim, é bom. Especialmente agora, que o Lieutenant não é tão conhecido, mas mesmo assim tem pessoas indo aos shows. Então, ver esses fãs do Foo Fighters nos apoiar é algo realmente bom. É muitos bom ter fãs que temos, porque nos amam como uma banda e vão nos apoiar em todos os nossos próprios esforços e projetos individuais. Em algum ponto no tempo, seria bom tocar para uma plateia que começou a gostar da banda por causa do próprio álbum (risos). Mas eu não estou contando que alguém nesse mundo não conheça o Foo Fighters (risos).

E uma rápida questão sobre o Foo Fighters. Você tem dois grandes bateristas na banda, o Dave e o Taylor. Com qual deles na bateria você mais gosta de tocar?

Oh, isso é uma boa pergunta. É uma espécie de novidade quando eu toco com o Dave, porque isso não acontece muito frequentemente. Nos conhecemos e tocamos juntos por tanto tempo, que é divertido trocar de papéis às vezes. Como Pat Smear sempre diz, “diferente é bom.” Eu concordo com isso e acho que é um bom lema. Mas eu tenho tocado com Taylor por tanto tempo, que o seu estilo de tocar é o que eu comecei a esperar de um baterista agora. Nem sempre foi assim, mas temos tocado juntos por um bom tempo da minha carreira e eu gosto do estilo dele. Eu sei o que ele vai fazer e eu cresci acostumado com isso. Então, eu vou escolher o Taylor nessa. Ele é o meu cara.

Matéria original:At Ease: An Interview with Foo Fighters Bassist Nate Mendel on his new project, Lieutenant“, 25 de março de 2015, por The Aquarian Weekly
Tradução e adaptação: Stephanie Hahne

Foo Fighters celebra lançamento do DVD Sonic Highways em Los Angeles + segunda temporada da série?

Enquanto os fãs começavam a fazer fila por volta das três horas da tarde para ver o Foo Fighters fazer um show privado do St. Patrick’s Day no iHeartRadio Theater em Burbank, Califórnia, para celebrar o lançamento do DVD Sonic Highways em 7 de abril, tudo era possível. No recente show de aniversário de Dave Grohl, no The Forum, a banda foi acompanhada por um monte de estrelas do rock. Então, quem sabia o que poderia acontecer nesta noite?

Duas horas antes do set, enquanto todos os cinco membros da banda falavam exclusivamente com a Billboard, o guitarrista Chris Shiflett brincou: “Vamos tocar um set só com músicas do Pogues”, ao que prontamente Grohl disse: “Thin Lizzy.” E, enquanto o quinteto – incluindo o guitarrista Pat Smear, o baixista Nate Mendel e o baterista Taylor Hawkins – discutiam rock irlandês, a conversa voltou-se para o U2 e Grohl deu uma serenata improvisada de um trecho de “11 O’Clock Tick Tock” e dançou com “Party Girl”.

Grohl também revelou que o lançamento do DVD Sonic Highways, que incluirá – entre outras características especiais – uma conversa mais ampla com Dolly Parton sobre Nashville e sobre o Grand Ole Opry. “Há cenas adicionais de entrevistas, como a maior parte da conversa com Dolly Parton e o Presidente Obama e talvez Willie [Nelson]”, disse Grohl. “Esse material é divertido de assistir, especialmente alguém como Dolly, ela é uma grande contadora de histórias, envolvente, divertida e legal.”

Então, há possibilidade de haver outra temporada de Sonic Highways? Talvez uma versão internacional? 

“Pode ou não haver uma segunda temporada”, disse Grohl. “Há um monte de estúdios por aí.” O que pode ser incluído nesta próxima maratona? Grohl sugeriu que o baterista Taylor Hawkins respondesse isso. “Taylor é a quem você deve perguntar sobre os estúdios do Reino Unido, ele foi para todos eles, mesmo que eles sejam lojas agora. Ele aparece lá e fala algo do tipo, ‘Vocês sabem que o Queen gravou o The Game aqui, né caralho?’”.

“Eles são solo sagrado, eu acho que são templos, cara”, disse Hawkins.

O humor exagerado de Grohl não foi muito longe enquanto Hawkins lembrava de quando foram para o famoso Musicland Studios em Munique, Alemanha. “Costumava haver um em Munique, onde o Queen gravado um monte de coisa e o ELO também, Stones, Zeppelin, etc. Era chamado Musicland Studios,” Hawkins lembrou.

“O que virou agora?” Grohl perguntou a ele. “Ele está conectado a um hotel e agora é uma sala de armazenamento. Eu fui lá e fiz uma senhora me levar até onde ele ficava”, Hawkins respondeu. “É apenas um armário de vassouras”, Grohl brincou. “Eu fiquei tipo, ‘Sim, mas ‘Another One Bites The Dust’ foi gravada aqui.’ Ela falou, ‘Hein?’”, disse Hawkins, fazendo a banda toda rir.

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 Chelsea Handler e Foo Fighters no iHeartRadio Theater

E a banda já tem uma série de ideias de lugares internacionais para onde Sonic Highways poderia ir. “Se nós fossemos para um lugar como o Abbey Road, seria divertido entrevistar alguém como Paul McCartney ou George Martin, seria bem legal”, disse Grohl. “Ou sei lá, ir para Berlim e entrevistar alguém como David Bowie ou Iggy [Pop].”

“Talvez pudéssemos ir para Melbourne, onde quer que eles tenham feito todos os discos do AC/DC e entrevistar George Young,” Shiflett sugeriu. “Ou você poderia ir para Manchester e entrevistar o Happy Mondays!”, Grohl acrescentou.

Antes que a banda possa chegar a uma segunda temporada de Sonic Highways, há a questão da turnê mundial e dos deveres de Grohl enquanto embaixador do Record Store Day 2015. Ele tem planos para isso, mas não deu maiores detalhes. “Nós vamos nos divertir muito no Record Store Day, eu sei o que faremos no Record Store Day e que vai ser muito divertido”, disse Grohl.

Diversão foi o tema da noite do show no iHeartRadio Theater, apresentado por Chelsea Handler. “É íntimo, é divertido e é legal, isso é realmente muito legal”, disse Handler sobre a chance dos Foos de tocar para apenas 250 pessoas. Enquanto toda a banda e Handler sentavam-se nos degraus da plataforma da bateria, Grohl brincou: “Eu sinto que estou no Soul Train”.

Handler e a banda tem uma amizade óbvia e que ficou aparente na breve entrevista, como quando o assunto Vegas veio à tona e Grohl brincou: “Não brinque com isso de residência em Vegas (quando um artista fica tocando na mesma casa de show durante uma turnê inteira), porque você nunca sabe quando o Foo Fighters pode fazer uma, e em breve”. E eles estão abertos para ir à Vegas e assistir ao show de uma famosa estrela pop. “Temos conversado sobre ver a Britney lá”, disse ele, referindo-se a residência de Britney Spears.

A curta entrevista terminou com Grohl recordando uma grande história sobre ter visto shows de jazz com sua mãe quando era criança, em Washington, D.C., e quando foi levado ao palco, aos 15 anos, para tocar com uns caras de mais de 80. Então, enquanto Handler deixava o palco para permitir que a banda se apresentasse para os membros de sorte da audiência, Grohl prometeu: “Vamos tocar só jazz”.

Entretando, não houve jazz, rock irlandês ou convidados especiais nesta noite. Esta foi apenas a banda arrasando durante uma hora de seus maiores sucessos, com um domínio firme, forte e intenso. Entre os muitos destaques foram “Times Like These”, “In The Clear”, que Grohl explicadou que foi escrita para o New Orleans Preservation Jazz Band, e os coros de “Best Of You” e “My Hero”. “São as melhores músicas para se cantar em coro”, de acordo com Grohl.

Depois de “Walk”, Grohl explicou o que ele estava pensando sobre como ele se debatia no palco. “Porra, meu cabelo cheira bem”, disse ele, dizendo à plateia que naquela manhã ele havia roubado shampoo de sua filha, “porque ela sempre cheira tão bem”.

Confira o show completo com link para download AQUI!

Setlist:

All My Life
Congregation
The Pretender
My Hero
In The Clear
Times Like These
Something From Nothing
Walk
These Days
Outside
Best of you
Everlong

Matéria original:Exclusive: Dave Grohl Hints at Season Two of ‘Sonic Highways’“, 18 de março de 2015, Billboard
Tradução e adaptação: Stephanie Hahne