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Entrevista: Rollbando, a banda que gravou no estúdio do Foo Fighters

Em Fevereiro de 2015, postamos lá na nossa página do Facebook sobre um leilão mega legal que dava direito a dois dias de gravação no Studio 606, propriedade de Dave Grohl (Foo Fighters). Quem teve a iniciativa foi o americano Mike Squires, que ganhou este presentão da própria banda para que pudesse pagar pelo tratamento de câncer de sua mãe, Charlotte.

Acontece que, para a nossa surpresa, os sortudos que abocanharam esta oportunidade foi uma banda do Brasil, os paulistanos do Rollbando. Os caras viajaram para Los Angeles e gravaram quatro músicas para o EP Anallogico, que será lançado no dia 24 de Junho, lá na famosa mesa de mixagem Neve 8078, o centro das atenções do documentário Sound City Movie. Nessa mesma mesa, o Nirvana gravou o lendário Nevermind (1991), assim como grupos como Red Hot Chili Peppers, Rancid, entre outros.

Conversamos com Du Oliva (voz/guitarra), Bernie Walbenny (baixo/backing vocal), Bruno Manfrinato (guitarra) e Betto Cardoso (bateria) para saber um pouco mais de como foi a experiência de ser o primeiro grupo brasileiro a gravar no estúdio do Foo Fighters, e ao fim da matéria, você ainda pode conferir o documentário que a banda fez por lá, a música “Não Me Lembro” e uma galeria de fotos exclusiva.

Leia:

Qual era a relação da banda com o Foo Fighters antes da oportunidade do estúdio? Eram fãs? Já tinham um som inspirado neles?

Du: Éramos – e agora somos ainda mais – muito fãs da banda, pela música e pelo que eles representam para o rock e para a nossa geração. Eles nos inspiraram a trabalhar muito duro para chegar no estúdio afiados para fazer uma gravação à moda antiga, ao vivo, todos tocando juntos em um processo todo analógico, sem edições e com pouquíssimo tempo. O que se ouve é o que a banda realmente é. A inspiração vem principalmente do fato de eles incentivarem os músicos e bandas a fazerem seu próprio som, e a fazerem de verdade.

Bernie: Além disso, tínhamos ido na grade do show no Morumbi (2015). Eu, o Du e o Clever, que co-dirigiu o documentário da viagem comigo. Nem imaginávamos o que viria.

Rolou muita conversa antes de decidir tentar o leilão ou já entraram de cabeça na ideia?

Bernie: Na real o Du me marcou numa publicação falando do leilão e instantaneamente coloquei na cabeça que iríamos ganhar, não teve muito o que conversar.

Houve financiamento coletivo? Os fãs da banda apoiaram de cara?

Du: Não houve (risos). Fizemos um racha coletivo entre nós e os irmãos da Freak Company, que gravaram por lá também, o nosso produtor Granja e nosso amigo Chula, que gravou guitarras conosco também. Além de muitos amigos e família que nos apoiaram de maneira impressionante. Sem todas essas pessoas não teríamos vivido esse dia surreal.

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Dave Grohl e a famosa Neve 8078

E o sentimento quando viram que deu certo? Teve festa?

Bernie: Acho que só depois que a gente gravou as músicas que caiu a ficha, antes disso era tudo muito surreal.

Betto: Eu festejei, cara, apesar que você ter uma carreira e estar em L.A. significa business, eu arranjei bastante tempo pra celebrar, muita coisa massa rolou, o resultado do play foi apenas uma delas.

Du: Claro! Buscamos alguns packs de cerveja e já começamos a relaxar durante a mixagem das músicas. Havia muito pouco tempo para tudo, o Granja fez um trabalho incrível e em pouco mais de três horas de mixagem já estávamos celebrando o resultado final, com muito orgulho.

Levaram músicas já prontas ou o lugar deu uma inspiração a mais pra compor?

Bernie: Escolhemos as quatro músicas aqui no Brasil e nos preparamos bastante para chegar e gravar ao vivo. Tínhamos o nosso produtor, Luis Granja Venturin do Black Bridge Studios, acompanhando todo o processo e nos auxiliando nesse treino. Fizemos algumas simulações de como seria lá, gravando a banda ao vivo. O lugar deu a inspiração pra executar bem, tanto que três músicas gravamos na primeira execução e apenas uma tivemos que tocar outra vez. Como era fita de rolo, ao vivo, não tínhamos muito tempo. Foi um dia pra gravar e mixar.

Betto: Se a gente tivesse um diazinho a mais, eu tenho certeza que rolaria pelo menos mais dois sons – pelo menos! O lugar transborda inspiração, fora os discos de ouro e premiações espalhados por todo canto.

Du: Foi tudo muito surreal, difícil de cair a ficha quando se entra na casa dos caras. As músicas já estavam prontas e muito ensaiadas, pois em um processo como foi não há espaço para erros. Foi tudo muito inspirador, você absorve uma energia positiva para levar pelo resto da vida, para continuar fazendo o que ama e lutando todo dia pela sua música e pelas pessoas que ama, que estão com você para o que vier.

Rollbando no Studio 606, por Cléver Cardoso

Como foi a experiência de estar no estúdio do Dave Grohl e gravar no mesmo lugar que o Foo Fighters e outras grandes bandas?

Bernie: Inacreditável. Nos corredores do estúdio estão discos de ouro, platina, diamante, posters, prêmios e a vasta história das bandas que o Dave participou.

Betto: Épico, e eu ainda volto lá, com certeza. Preciso gravar um disco inteiro naquele lugar com aquele processo. O lance é sobre você saber o som que quer tirar, porque pra muitas bandas aquele estúdio simplesmente não funcionaria, mas o tamanho daquela sala e a Neve te dão essa peculiaridade. Se quer algo metálico, digital, cheio de agudo, esquece, lá não é o lugar pro seu disco. E se você ta lá, que seja aveludado, “vintajão”.
Du: Estar exatamente naquele estúdio e gravar um trabalho autoral onde todas estas bandas que admiramos já gravaram é, para nós, uma realização de uma vida. Mais até do que imaginamos pelo fato de que nunca imaginamos que fosse acontecer um dia. Não dá para classificar além de surreal e muito inspirador. Todo o profissionalismo da equipe do estúdio e os elementos em volta nos ajudaram a cumprir nossa meta, que era gravar e mixar quatro músicas em pouco menos de 10 horas.

Como foi a recepção da equipe do estúdio?

Bernie: Não poderíamos ter sido tratados melhor. Por algum tempo me senti como se fosse do Foo Fighters (risos). Tudo o que pedimos de equipamentos nas trocas de e-mail estava montado quando chegamos, cada detalhe. Se dispuseram a pegar outros equipamentos pra testarmos timbres, foram solícitos e colocaram todo o empenho e talento para que saísse o melhor som possível. Só temos a agradecer ao John Lousteau, Derek Silverman, Wiley Hodgen e Scott Parker pelo suporte.

E a expectativa para o resultado das músicas, superou?

Betto: Eu realmente queria mais tempo pra mixagem. O Granja teve que fazer uma mix na correria num lugar que ele nunca esteve e sem tempo de ter outras referências… Na real, ainda bem que foi o Granja, outro produtor não seguraria a peteca, e ele fez um trampo foda.

Du: Sim, gravar ao vivo traz uma energia diferente, as músicas soam muito naturais, com muita vida, dinâmica. E o som de uma gravação analógica é muito diferente. A textura do som daquela mesa é muito diferente, soa bem como nos álbuns icônicos que foram gravados nela.

Para encerrar, falem pra gente qual é o futuro da banda agora depois desse baita pontapé.

Bernie: Show. Essa é a vida de banda. Vamos lançar o EP, clipe e cair nos butecos da vida. Dia 9 de Julho acontece o lançamento do EP em São Paulo, no Z Carniceria com a banda Versalle.

Betto: Demos! A banda tem dois EPs, cada um com uma formação, e agora tem uma nova. O lance é fazer um álbum completo com muita personalidade, mas só vai rolar assumir esse tipo de responsabilidade se a gente fizer demos atrás de demos, gravar e regravar… Na verdade, é a fórmula que as grandes bandas usam pra moldar a “cara” do play, vamos tentar não fugir disso!

Du: Poxa, queremos mesmo é tocar por aí! É só chamar que vamos, onde for! Tem clipe novo saindo em breve, o EP completo também. Temos um EP lançado em 2014, Tem Sempre Alguém te Rollbando, com músicas bem legais, dois clipes que nos renderam muita coisa boa, enfim, continuamos na nossa trilha, no nosso tempo. Onde houver uma galera querendo ver um show animado e com muita pressão, é só nos chamar!

Galeria de fotos, por Cléver Cardoso

Por: Stephanie Hahne

 

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